A Física da Coisa — parte 1

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O laboratório de Física da Universidade de Chicago, sob o comando do ilustríssimo professor Rosembaum (ele é o bom!), foi o lugar em que Mctaggart registrou “a coisa” toda. Ela esteve presente em cada passo das experiências que acabam por nos provar cientificamente que qualquer matéria é maleável e suscetível à influência do que quer que você queira, principalmente à influência do pensamento, já que este é o nosso ponto que interessa.

O livro “O Experimento da Intenção” esmiúça os detalhes, o “behind the scenes” de toda a brincadeira, que é meticulosamente explicada em páginas e mais páginas muito bem escritas em Inglês. Eu estou aqui ó, de livrinho original na mão comparando com a tradução que você provavelmente tem aí e pretendo colocar neste post os pontos-chave, salientando o que me parece mais peculiar e ilustrativo no bojo dessa saga toda.

Primeiramente, vamos falar do cientista: cara, ele é o cara! O Rosenbaum esteve na vanguarda da física experimental que estuda a exploração dos limites da (des)ordem na constituição física da matéria condensada. Ele basicamente analisa o funcionamento interno de líquidos e sólidos quando sua ordem subjacente é perturbada. Na física, quando se quer descobrir como alguma coisa se comporta, a melhor maneira é provocar um distúrbio e ver o que acontece. Tal distúrbio pode ser a aplicação de calor ou de um campo magnético para determinar a reação e a direção do spin e a orientação magnética que os átomos vão escolher e etc.

Outra coisa importante sobre o cara que é “o cara”: os colegas dele, dessa área da física da matéria condensada, só se interessavam por sistemas simétricos, como os sólidos cristalinos, cujos átomos são todos arrumadinhos em fileiras como em uma caixa de ovos. Mas não o Rosenbaum! Ele se dedicou a estudar os sistemas diferentes, que são inerentemente desordenados, aqueles que os físicos quânticos mais convencionais chamavam com desprezo de “detrito”. O Rosenbaum achava que os segredos inexplorados do universo quântico — que por si já era um território ainda não-mapeado que ele queria desvendar — eram mais evidentes nesse “detrito”.  Por isso que ele gostava dos desafios dos vidros de spin, daqueles estranhos cristais híbridos com propriedades magnéticas, que eram tecnicamente considerados “líquidos de movimento lento”. No cristal, os átomos apontam todos na mesma direção em perfeito alinhamento; porém os átomos de um vidro de spin são descontrolados e congelados num estado de desalinhamento, ou seja, algo muito mais emocionante, concorda?

Interessante é notar que a temperatura das experiências tem que ser o zero absoluto (“condições ideais de temperatura e pressão”, lembra?), pois devido à baixa temperatura, tudo vai acontecendo em câmera lenta e o mestre consegue perceber a verdadeira natureza dos constituintes mais básicos do universo. O mestre, nesse caso, tem uma discípula — Sai Ghosh — uma aluna de pós-graduação (PHD em Física), que trabalha com ele no laboratório. E foi ela quem acabou provando, através da sua experiência junto com o Professor Rosenbaum, que a propriedade da não-localidade das partículas pode ser observada também em grandes blocos de matéria. Já te conto sobre essa propriedade super interessante.

Mas antes, daremos uma passadinha no Universo da Física Clássica.

De acordo com a segunda Lei da Termodinâmica, “todos os processos físicos no universo podem fluir apenas de um estado de maior energia para o de menor energia”. Ahá, tá craque! Isso quer dizer que ao atirarmos uma pedra na água, as ondulações vão desaparecendo aos poucos (menor energia) ; ou uma xícara de café quente que deixada na mesa, só pode esfriar (menos calor=menor energia); enfim, supostamente, tudo caminharia numa só direção, da ordem para a desordem. Certo?

Só que não. Rosenbaum acredita que não é sempre assim que acontece. Suas descobertas recentes sobre os sistemas desordenados indicaram que certos materiais, sob certas circunstâncias, podem contrariar as leis da entropia e se unirem, em vez de se afastarem por perda de energia. Assim, é possível que a matéria vá na direção oposta, da desordem para a ordem. Esse é um dos pontos interessantes que as experiências do professor revelaram.

Porém, um dos mais estranhos aspectos da física quântica é a capacidade de “não localização” de um átomo, que é chamada poeticamente de “emaranhamento quântico”. O físico dinamarquês Niels Bohr descobriu que quando as partículas subatômicas como elétrons ou fótons se contactam, ficam instantaneamente perceptivas e influenciadas umas pelas outras em qualquer que seja a distância, o tempo todo, apesar da ausência de “influências”, como as trocas de força ou de energia. Quando as partículas estão “emaranhadas” (influenciadas umas pelas outras), a ação de uma — por exemplo, sua orientação magnética — irá sempre influenciar a outra para a mesma direção, independentemente da distância que as separem.

Fica mais clara essa descoberta de Bohr se tivermos mais um exemplo, certo? Então lá vai.

O físico irlandês John Bell desenvolveu um meio prático para testar como essas partículas atômicas se comportam realmente. Ele pegou duas partículas quânticas que já tinham estado em contato, depois as separou e mediu. A expectativa era de que elas se comportassem como um “casal”, que embora já tivessem passado um tempo juntos e fizessem tudo juntos, se separaram e então cada um vai para o seu lado, totalmente independentes, ou seja, cada partícula poderia “escolher” entre duas direções possíveis.
Quando Bell realizou esse experimento, havia a expectativa de o valor de uma das partículas ser maior do que o da outra — a chamada “inequalidade” — afinal, não eram mais “um casal” e cada um poderia escolher uma direção diferente e portanto, um valor diferente, não é mesmo? Entretanto, ao comparar seus valores, ele percebeu que ambas tinham o mesmo valor, e portanto sua esperada “inequalidade” tinha sido “violada”. E mais: um fio invisível parecia estar ligando essas partículas quânticas no espaço, fazendo com que uma seguisse a outra, como se fossem “gêmeas telepáticas”. Ou seja: se uma das partículas fosse perturbada, a outra “sentiria” imediatamente essa perturbação onde quer que estivesse no espaço. Os físicos, desde esse experimento, entendem que quando ocorre uma violação da “Inequalidade de Bell”, isso quer dizer que duas coisas estão emaranhadas (interligadas-telepáticas).

Tal princípio da Inequalidade de Bell tem enormes implicações para nosso entendimento do universo. Quando assumimos a não-localidade como uma faceta comum da natureza, reconhecemos que estávamos redondamente equivocados em relação a dois conceitos básicos, que fundamentaram a nossa visão do mundo: 1) que uma e qualquer influência só pode ocorrer de acordo com o tempo (num mesmo momento) e com a distância (num mesmo lugar) e 2)  que as partículas e as coisas (que são feitas de partículas) existem apenas de forma independente e separadas umas das outras.

Agora, olha só que interessante: outros pesquisadores provaram matematicamente que em todos os lugares, até mesmo dentro dos nossos corpos, os átomos e moléculas estão ocupados numa troca instantânea e incessante de informações. E quase todas as interações quânticas produzem emaranhamentos (interconexões “telepáticas”), independentemente das condições internas ou ambientais. Até os fótons, que são as menores partículas de luz que emanam das estrelas, ficam emaranhados com todos os átomos que encontram a caminho da Terra! Ou seja, o emaranhamento em temperaturas normais parece ser uma condição natural do universo, até em nossos corpos. Toda interação de elétrons dentro de nós cria emaranhamentos e, segundo Benni Reznik, físico teórico da Universidade de Tel Aviv, até o espaço vazio em torno de nós está fervilhando com partículas emaranhadas.

Dois experimentos, para Mctaggart, contêm a chave para a ciência da intenção. O primeiro já mencionamos, foi o de Rosenbaum com sua discípula Ghosh, demonstrando que existe uma conexão invisível — um emaranhamento — até mesmo entre elementos grandes que compõem a matéria (como as moléculas); e essa conexão é tão forte, que pode suplantar os métodos clássicos de influência, como a temperatura e a pressão.

O segundo, veremos a seguir, no próximo post.

 

TO BE CONTINUED (hahaha, adoro escrever isso).

Até já!

Flavia Criss, SF CA/21 de setembro de 2017.

 

 

 

 

 

 

 

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